sexta-feira, agosto 25, 2006

bricolages para geladeira: gaveta

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domingo, julho 30, 2006

anamnese

palpita em minhas vértebras uma urgência que se esparrama. o deslocamento celular traz um frisson e uma dor que se esconde entre o coração, a pele e o clitóris. cianótica, assisto impassível o tálamo anular o córtex. tomo contato com neurônios em curto, fico a um passo do enfarto, do descontrole: os pulmões retirando o quase nada de ar que há na terra e o coração batendo rarefeito. neste exílio, sub-existe uma vontade de vento, sons perdidos, volúpia de bocas e brilho nos olhos. o torpor do segundo é como neblina, começa encobrindo suavemente e termina por extrair a imagem, que verte como água entre os dedos.

sublevo e recomeço em lá menor – o vermelho das veias continua seu passo – quase indiferente, como se desconhecesse que ergui quatro paredes circunscritas entre o piso e o forro, e que de lá, desse ponto de vista, não sei abrir portas. o deslocamento celular então mais lento começa a descompassar seus movimentos, os sentidos começam a travar – e assim é – assim sinto. tem dias que no meio da noite acordo com ondas gigantescas que se atravessam feito paredes no meio da sala, do quarto – sou um surfista nas ondas do pensamento – e tento dormir debaixo da pele, sobre a crosta da alma, com camadas de sentimentos enterrados. permeável aos gestos, aos olhares e sobretudo às palavras que não são ditas e que deitam tons e sobretons por mim – não tem remédio isso – sigo metabolizando teorias entre práticas desconexas, pensamentos despropositados, e um e outro analgésico.

poema vencedor do último Prêmio Joinville de Expressão Literária, promovido pela empresa Döhler em parceria com o Núcleo Proler Joinville, em 2005.

guerra fria

no contato com minhas fronteiras
vejo-as desguarnecer
os que anunciam e os que não
fazem guerras, tratados, armistícios

eu, mercê de mim
faço acordos e assino contratos de gaveta

no fio do bigode – navalhada –filha de deus e do diabo permaneço

gaveta


vasculho a gaveta do apartamento da rua boa vista
o fio retorcido envolve a lâmpada
quem sabe aquela que iluminou um dia escuro aqui na praia
depois que fizemos amor à luz de velas
um resto de fio para varal – aquele que te pedi
lembro das roupas que ainda esperam por ele
pregos, parafusos, tomadas, restos das reformas do pequeno
apartamento da rua
Padre Anchieta, da casa do Parque São Lucas
se confundem com o pó de madeira
chaves, cadeados
o chaveiro que ganhei quando fiz dezoito anos
as moedas da escultura que ainda esculpo mentalmente – um
resto de veda rosca
não pode conter esse fluxo
duas luvas esquerdas, restos de fita isolante colados em
pedaços de papel
sacos plásticos, extensões
tento soltar, desfazer nós
mal posso distinguir os restos da nossa vida amalgamada.